quarta-feira, junho 28, 2006


E de um momento para o outro parte-se em mil, cada um com vida própria. Passeiam pela cidade junto das pessoas, dentro das pessoas.
Não têm memórias, apenas seguem o seu destino, obedecem à sua natureza, sem objectivos, por todo o lado, a ocupar as fissuras apenas de passagem, sem dormir vão-se alimentando das coisas, sendo as coisas.
Pequeno demais para que nos preocupemos, minusculo para chamar a atenção, e assim têm o mundo controlado, o monopolio das coisas. Vão fazendo alterar os elementos a seu prazer e diversão. Tudo o que nós vemos eles tocam, tudo que tocamos eles tiveram, e têm um universo atraz da barreira limitadora que nos criaram, o mundo que conhecemos.
Quando comemos estão-nos a ver, a sentir por dentro, quando dormimos estão-nos a dar ordens. E assim nos vão alimentando alimentando-se de nós.

sexta-feira, junho 23, 2006

devaneio

Coisa vil e enganadora, a que muitos não conseguem resistir. Ela move pessoas, move ideias. A sociedade baseia-se nela, as pessoas trabalham para a ter, pessoas roubam, mentem, matam, são capazes dos piores pecados por este monstro por detrás de uma aparencia carinhosa, acolhedora...
Mas há a ganancia...
Tanto se vê pessoas juntas a partilhar, emprestar, numa promisqua cimplicidade, uma perfeita harmonica união, como se vê essa união separada doutra, a afastar-se, a evitar. Já não se vê partilha, mas vê-se assambarcamento, muito tenue, latente, muito discreto, para continuar a assambarcar sem ser notado. E vai-se assim roubando o que têm partilhado

quarta-feira, junho 21, 2006

Insónia


Às vezes sinto-me tão deslocado, sem nenhum amigo que possa recorrer à noite quando acordo a sofrer.
E quando me lembro que me sinto só já é tarde demais para ligar, porque a noite está a dormir tão profundamente quanto eu e não quer ser incomodada.